

Para quem admira a Cattleya intermedia e está buscando o seu melhoramento através de cruzamentos seletivos, buscando maior perfeição das flores, maior intensidade das cores e mais durabilidade das floradas, é importante ter em mente que não há limites para esta empreitada.
Gostaria, para começar, citando alguns parágrafos do excelente artigo do Doutor Ernesto Paterniani, Eng. Agrônomo da ESALQ, da USP, publicado no Boletim CAOB n32 de abr/mai/jun de 1998. Falando das variações genéticas dentro de uma espécie o professor diz: “...o que nem sempre é percebido, é o grau de variabilidade genética existente dentro de uma determinada espécie. Muito embora as espécies, pela uniformidade dos tipos encontrados na natureza, transmitam a impressão de pouca variabilidade genética, a verdade é que o seu patrimônio genética é considerável. O tipo observado, que os geneticistas chamam de fenótipo, geralmente apresenta pouca variabilidade visível, porque a seleção natural preserva mais frequentemente os tipos mais adaptados ao ambiente, e esses tendem a ser uniformes.” E continua o Professor “ Observando cuidadosamente a descendência de uma determinada espécie, notam-se diferenças entre os indivíduos, diferenças essas que podem ser aproveitadas para seleção. ... O que a maioria das pessoas, inclusive muitos geneticistas, não percebe é a fenomenal força da seleção. De fato, a seleção é uma poderosa força transformadora dos seres vivos,muito maior do que geralmente conseguimos imaginar.” Para exemplificar esta afirmação Ernesto Paterniani diz “ Seria possível imaginar que , a partir do lobo europeu Canis lupus, a seleção conseguiu produzir a grande quantidade de raças, diferindo em tamanho de menos de um quilo até mais de cem, em pelagem praticamente sem pelo até pelagem de mais de um metro de comprimento, alem das formas do corpo e, inclusive temperamento ...” (1)
Outras manifestações sobre o tema foram emitidas com grande relevância como as de Lou Menezes, Alceu Berger, Carlos Gomes e outros.
Voltando ao assunto da Cattleya intermédia devemos pensar em primeiro lugar no estudo tanto das variedades já existentes como no resultado obtido nos cruzamentos no meio orquidófilo, levando sempre em consideração a seriedade de seus realizadores.
Em segundo lugar visitar bons produtores e exposições procurando adquirir boas matrizes que, não só preencham as melhores qualidades da textura, cor, forma, durabilidade, etc., mas que tenham a capacidade de transmitir estes atributos aos seus descendentes.
Acho muito importante que, os que estejam envolvidos nesta busca dos melhoramentos, transmitam suas experiências para que todos acompanhem os resultados e, tenham base para realizar seus próprios projetos.
Ao longo de cinco anos nos lançamos na busca de matrizes e, a partir do ano 2000 fizemos cruzamentos, procurando separar as matrizes que passavam seus predicados aos filhos.
RESULTADOS:
Obtivemos então nossos primeiros bons resultados. Um deles no cruzamento 258 (C int. orlata “Melindrosa” x C int. marginata “Lineu”) onde a intermedia marginata passou o marginata para mais de 90% da descendência e melhorou consideravelmente sua forma.
Na foto1, vemos os pais deste cruzamento. Já na foto 2 temos alguns resultados.

Foto 1 – Matrizes do cruzamento 258 (C int. orlata “Melindrosa” x C int. marginata “Lineu”).

Foto 2 – Resultado do cruzamento 258.
Seguindo nesta linha fizemos o cruzamento P7 (C int. marginata “Lineu” x C int. “TOP 5” (AS 1764)) com resultados incríveis de onde surgiu a C int. flamea marginata P7-2 “Pedro Holderbaum”.
Na foto 3 vemos os pais do cruzamento observando que a flamea TOP5 é muito larga, praticamente formando um overlapping (pétalas sobrepostas) mas, sua armação, deixa um pouco a desejar. Este defeito é corrigido pela presença na planta mãe de excelente forma e consistência, conforme mostra a foto 4 e que tem seu clímax na P7-2, foto 5.

Foto 3 – Matrizes do cruzamento P7 (C int. marginata “Lineu” x C int. “TOP 5” (AS 1764))

Foto 4 - Resultados do cruzamento P7

Foto 6 - C int. flamea marginata P7-2 “Pedro Holderbaum”.
No cruzamento 351 (C int. 28D ( C int. aquinii coerulea x C int. coerulea “Paske”) x C int. amethista B160 “Pedro Holderbaum”), tivemos muita qualidade no resultado inclusive com o aparecimento da C int. 351 coerulea “Holderbaum” (primeiro lugar exposição nacional de Cattleya intermédia Gramado 2008). A Ci B160 é cruzamento originário de Alceu Berger. A Ci 28D cruzamento de Werner Paske de Curitiba única planta florida , pelo menos na minha mão, que deu tipo , magra mas de um marginata sensacional. Nas fotos 6, 7 e 8 vemos na seqüência as plantas envolvidas no cruzamento, alguns resultados e a C int 351 coerulea “Holderbaum”

Foto 6 – Matrizes do cruzamento 351 (C int. 28D ( C int. aquinii coerulea x C int. coerulea “Paske”) x C int. amethista B160 “Pedro Holderbaum”).

Foto 7 - Resultados do cruzamento 351.

Foto 8 - C int 351 coerulea “Holderbaum
No P6 (C int. “AS1000” X1 x C int. “TOP5” (AS 1764) temos grandes espectativas
Na foto 9 temos a filiação e na foto 10 os primeiros resultados.

Foto 9 – Matrizes do Cruzamento P6 (C int. “AS1000” X1 x C int. “TOP5” (AS 1764)

Foto 10 - Resultados do cruzamento P6.
No P4 (C int. albescens do “Stumpf” 4N Sander x C int.”TOP5” (AS 1764) foto n11, surgiu a magnífica C int. albescens “Holderbaum”(foto 12).
Neste cruzamento conseguimos pouquíssimos seedlings, mas o primeiro resultado foi muito interessante não só pela forma com que se apresentou, mas também pela predominância do colorido albescens,

Foto 11 – Matrizes do Cruzamento P4 (C int. albescens do “Stumpf” 4N Sander x C int.”TOP5” (AS 1764)

Foto 12 - C int. albescens “Holderbaum
No P1 (C int. flamea coerulea “Darci”(28D) x C int. albescens do “Stumpf” 4N) já temos os primeiros resultados. Temos na foto 13 os pais no cruzamento e na foto 14 os dois resultados obtidos até então, observando que, embora os coloridos envolvidos no cruzamento são o coerulea e albescens as duas plantas obtidas deram colorido tipo.

Foto 13 - P1 (C int. flamea coerulea “Darci”(28D) x C int. albescens do “Stumpf” 4N)

Foto 14 - Resultados do cruzamento P1.
Estes resultados nos dão a esperança de estar no caminho certo, de manter sempre a busca da qualidade e que de algum modo possamos ajudar no desenvolvimento da Cattleya intermédia como um todo.
Cattleyas intermédias Melhoramentos Genéticos 2009