

A família das Orquidáceas é provavelmente a maior família das Angiospermas. Atualmente o número de espécies catalogadas e estudadas gira em torno de 20.000, espalhadas por todo o planeta com exceção dos Pólos, mas a maior diversidade é, sem dúvida, encontrada nas áreas tropicais. Nascem na terra (terrestres), nas rochas (rupícolas) mas a grande maioria se apóia nas árvores (epífitas).
As orquídeas são divididas em dois grupos, quanto à forma de crescimento. Simpodiais como as Cattleyas, Laelias, Dendrobium, etc, que possuem pseudo-bulbos onde armazenam água e nutrientes e o rizoma que crescem de forma horizontal. As Monopodiais como as Vandas e Phalaenopsis, cujas raízes tem crescimento contínuo vertical e não possuem rizoma nem pseudo- bulbo.
Plantio
A primeira pergunta que se faz é - quando replantar?
Em geral, quando começa a extrapolar o vaso e a soltar raízes novas (Ver figura 1).
Todas as orquídeas após a florada entram em repouso por 30 a 45 dias, dependendo da espécie, começando no fim desde período a emitir o novo broto e raízes. Esta é então a época ideal para replantá-la. Em regiões de inverno rigoroso evita-se os meses de junho, julho e agosto, para divisões de plantas, com o corte de raízes.
O ideal é que tenha pelo menos 3 pseudo-bulbos (simpodiais). Utilize sempre ferramenta limpa e esterilizada. Use fogo ou melhor ainda uma solução de Trifosfato de Sódio a 5% (ou Fosfato tri sódico que é o mesmo) solução estabilizada e fácil de mandar preparar em casas de produtos químicos e mergulhe facas e tesouras por 15 minutos. Garanta, assim, saúde e plantas isentas de vírus. Lembre-se que a mão do homem é a grande disseminadora de viroses, doença que não tem cura.
No caso de monopodiais como as Vandas e Phals, que soltam mudas novas nas laterais, deve-se esperar que tenham pelo menos 2 raízes novas para separá-las da mãe.
Dicas de Plantio
1- O vaso pode ser de plástico ou cerâmica.
2- Coloque uma camada de brita ou seixo no fundo (1/3 da altura), para drenagem. Vasos rasos de cerâmica com furos laterais na precisam de drenagem.
3- Coloque um pouco de substrato sobre a pedra.
4- Acomode a planta, use um tutor ou outro tipo de fixação e complete com o resto do substrato comprimindo em toda a volta. Nas orquídeas, simpodiais, como Cattleyas e Laelias coloca-se o bulbo traseiro ou mais velho junto à borda do vaso e o bulbo mais novo deixa-se uns três dedos de espaço, para que possa crescer (ver figura 2). Isto é o suficiente para que em 2 anos,em média, novo replantio seja feito.
A planta nunca deve ficar solta, tem que ficar bem firme no vaso.
Algumas orquídeas não suportam nenhum excesso de umidade e não se adaptam dentro de vasos. Neste caso, usam-se cascas de árvores como peroba, casca de Callistemum ( árvore da Austrália), casca de landi e muitas outras, conforme disponibilidade na região. A planta deve ser amarrada à casca com uma fita bem firme, evitando o barbante, pois ele trabalha com a variação da umidade.
As monopodiais como as Vandas em geral são plantadas sem nenhum substrato e exigem grandes cuidados em relação às regas e adubações, em especial no verão.
Luminosidade
A luz é um fator fundamental no cultivo de orquídeas, pois são plantas ávidas de luz na grande maioria. Em luminosidade baixa podem até vegetar, mas não irão florescer.
Uma tela de sombreamento de 50 a 60% é o ideal para a maior parte delas. Se forem híbridos de Cattleya o melhor ainda é cobri-las com plástico agrícola adequado.
O tom do verde de suas folhas é um bom indicativo da qualidade de luz na sua estufa. Não deve ser escuro demais, tipo verde garrafa, nem muito amarelado. O ideal é a cor que os americanos do norte chamam – a cor da maçã verde.
Algumas,no entanto, exigem mais sombra como as micro orquídeas , os Paphiopedilums, as Miltônias colombianas. Outras, no outro extremo, adoram sol direto como a Vanda teres, Renathera coccínea, C percivaliana, C lueddemaniana, etc
Ventilação
Boa circulação de ar é essencial para garantir plantas saudáveis. Portanto se sua região fica excessivamente quente e úmida no verão, faça uso de ventiladores, circuladores, exaustores ou abra mais sua estufa para melhorar a corrente de ar, pois desta forma muitas pragas e doenças poderão ser controladas, em especial as terríveis cochonilhas.
Temperatura baixa e alta umidade também é péssimo para as flores, pois propicia a formação de um fungo chamado Botrytis cinérea que ataca em especial as flores brancas, danificando-as com pontos marrons que as inutilizam para a venda.
Regas e Umidade
A umidade relativa do ar nunca deve estar abaixo de 30%, pois abaixo disto as orquídeas não sobrevivem por muito tempo.
Evite molhar as plantas sob sol forte. O ideal é que as regas ocorram de manhã cedo, no outono e inverno,e à tardinha nos meses de verão e calor. Em lugares onde a umidade do ar costuma ficar baixa, deve-se molhar não só as plantas, mas todo o ambiente, em especial o piso, para aumentá-la.
Temperatura
A maior parte das orquídeas prefere uma temperatura em torno de 15 a 25 graus centígrados. No entanto, toleram temperaturas mais altas ou mais baixas, desde que por pouco tempo.
Phalaenopsis – a temperatura ideal noturna não deve baixar de 18 graus, no entanto de dia suporta sem problemas uma temperatura de 30 a 32 graus.
Cattleyas, Laelias – temperatura ideal deve ficar de 15 a 30 graus.
Cymbidium, Odontoglossum, Dendrobium, Miltônias colombianas – apreciam temperaturas mais baixas, no que resulta em melhores floradas (10 a 25 graus).
Já as plantas nativas da região Amazônica, como a C aurea, C eldorado, Acacallis, não toleram o frio.
Portanto ao adquirir orquídeas, certifique-se da sua preferência e cultive as mais adaptadas a sua região, o que lhe garantirá grande sucesso.
Adubação
As orquídeas necessitam de alimento como todo o vegetal. Utilize adubação inorgânica completa ( macro e micro elementos) líquida ou totalmente solúvel em água, de boa procedência e aplicação comprovada em orquidofilia.
Para manutenção de plantas adultas usa-se NPK de fórmula equilibrada tipo 10 10 10 ou 20 20 20. A proporção é de 1gr/ 1 lt de água para pulverizações quinzenais e de 1/2gr/1 lt de água para semanais. Em caso de estímulo de brotação ou floração usa-se em geral o P mais alto ( fósforo). O uso do K da fórmula do NPK mais alto ( potássio) em geral reforça o sistema de defesa da planta e é bom para as plantas já com botões, pois reforça o colorido já existente. E o N deve ser utilizado para os filhotes e na melhoria de alguns substratos como o pinus, que exige aplicações com teor mais alto de nitrogênio. Usa-se em geral nesses caso 30 10 10. Aplicações de Nitrocalcio devem ser feitas cada 2 ou 3 meses, pois são essenciais para corrigir aquelas folhas traseiras amareladas comuns na Laelia purpurata.
Adubos de origem orgânica como farinha de osso, tipo mix como o Bokachi, podem e devem ser utilizados a cada 2 a 3 meses para reforçar o sistema radicular. Usa-se 1 a 2 colheres de chá por vaso, dependendo do tamanho deste. O Osmocote ou similares, adubos de liberação lenta ( só tem macro elementos) também podem ser usados e seguem as regras como para os orgânicos, a cada 2 ou 3 meses são renovados.
Atenção, nunca adube uma planta seca. Molhe na véspera, de preferência, para então adubá-la cedo de manhã. Lembre-se orquídeas gostam de adubação contínua e homeopática.
Pragas e Doenças
Como todo vegetal, estão sujeitas ao ataque de insetos e doenças. Em caso de surgimento de manchas, podridões, etc procure auxílio em lojas especializadas, agrônomos ou técnicos autorizados ou mesmo sociedades orquidófilas, eles certamente vão orientá-lo de forma adequada.
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Figura 1 - Planta pronta para ser dividida e reenvasada. |
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Figura 2 - Planta recém reenvasada |